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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Evite lacunas no raciocínio

          “Outro problema que atinge o idoso brasileiro é o preconceito contra as pessoas nessa fase da vida. Porém, muitos indivíduos ao chegarem nessa faixa de idade fazem muito mais atividades que os jovens.” (Redação de aluno)

        A passagem acima revela uma lacuna no raciocínio. O aluno afirma, no primeiro período, que o idoso é alvo de preconceito. No segundo, trata de mostrar que esse preconceito é injustificado, mas sustenta seu ponto de vista com uma referência pouco significativa. O fato de o idoso “fazer atividades” não impede que a discriminação contra ele se manifeste em outros âmbitos.

        Para dar unidade ao texto, é preciso inserir entre os dois períodos uma informação a que o segundo período possa realmente se contrapor. Exemplo:

         “Outro problema que atinge o idoso brasileiro é o preconceito contra as pessoas nessa fase da vida. Afirma-se, por exemplo, que são pouco ativas. Porém, muitos indivíduos ao chegarem nessa faixa de idade fazem muito mais atividades que os jovens.”

domingo, 10 de novembro de 2013

A locução "estaca zero"

         “Pela tradição brasileira de desleixo com os problemas sérios, depois da Copa, o Brasil voltará à estaca anterior.” (Redação de aluno)

          Entre os sentidos de “estaca”, está o de “marco que se finca no terreno para um indicar um ponto da superfície”. A locução “estaca zero” designa a “estaca inicial de uma marcação topográfica”. Metaforicamente, significa o “ponto de partida” ou o “ponto em que se recomeça algo”.

         Na expressão “estaca anterior”, usada pelo aluno, há uma espécie de cruzamento semântico. Ele não havia se referido a nenhuma estaca, mas tinha em mente a ideia de que, após a Copa, tudo voltaria à situação inicial, ou ao ponto de partida. Como isso corresponde à “estaca zero”, o estudante criou um híbrido em que entraram parte dessa locução e um termo que caberia melhor no contexto (“situação” ou “estágio”, por exemplo).

        Eis a frase corrigida: “Pela tradição brasileira de desleixo com os problemas sérios, depois da Copa o Brasil voltará à situação anterior.”

domingo, 20 de outubro de 2013

Sobre o uso da vírgula

          “Não é suficiente levar mais médicos, construir hospitais também é preciso.” (Redação de aluno)


            A pontuação desse período é inadequada. O uso da vírgula leva o leitor a pensar, num primeiro momento, que também não é suficiente construir hospitais. Só depois ele se dá conta de que o aluno estabelece uma contraposição baseada no seguinte raciocínio: levam-se médicos mas não se constroem hospitais, o que não é suficiente. Até que perceba isso, o leitor já perdeu o fio da leitura.  
 

       A vírgula indica uma pausa de pequena extensão e separa termos de idêntica função sintática (por exemplo: duas orações reduzidas de infinitivo, como o leitor foi levado a pensar lendo o período do aluno). Para contrapor ideias presentes em duas unidades autônomas, que podem valer cada qual por um período, deve-se usar ponto ou ponto e vírgula.

         Eis a frase corrigida: “Não é suficiente levar mais médicos; construir hospitais também é preciso.”

domingo, 13 de outubro de 2013

Evite repetir os conectivos

           Para que este pensamento machista diminua é necessária a conscientização dos cidadãos, com a promoção de campanhas e a valorização da mulher no meio escolar, para que todos percebam que elas não mais o sexo frágil.” (Redação de aluno)

         A passagem acima apresenta falha estrutural. O motivo é a repetição da circunstância de finalidade (introduzida pela locução “para que”) tanto no início quanto no fim do período. Qual é, afinal de contas, o objetivo de se conscientizar os cidadãos? Mudar o pensamento machista ou fazer as pessoas perceberem que a mulher não é mais o sexo frágil?

        Uma coisa praticamente significa a outra, de modo que é possível resumi-las numa única ideia de fim. É o que se faz abaixo (aproveitando-se também para enxugar o texto):

        “Para mudar esse pensamento machista, é necessário conscientizar as pessoas de que a mulher não é mais o sexo frágil. Isso pode ser feito por meio de campanhas que a  valorizem no meio escolar.”

domingo, 6 de outubro de 2013

Inadequação vocabular por influência de metonímia

          “É preciso que a comunidade brasileira participe e fiscalize essas ações governamentais para que juntos possamos tear fio por fio a tão sonhada igualdade de gêneros.” (Redação de aluno)
        Na passagem acima há um problema gramatical e outro semântico. O gramatical é a atribuição de um mesmo complemento a verbos de regências diferentes (“participar” é transitivo indireto; “fiscalizar”, transitivo direto). O ideal é suprimir um desses verbos.
        O problema semântico é um curioso exemplo de imprecisão vocabular devido a uma relação metonímica. Explicando: não existe o verbo “tear”. O tear é o artefato com que se tece. O desvio metonímico consiste, pois, em se usar o instrumento pela ação.
 
         Eis a frase corrigida: “É preciso que a comunidade brasileira fiscalize essas ações governamentais para que juntos possamos tecer fio por fio a tão sonhada igualdade de gêneros.”

domingo, 22 de setembro de 2013

Paralelismo e harmonia textual

        “As pessoas têm procurado no consumo a ‘fórmula mágica’ para a felicidade, em busca do bem-estar, da realização pessoal e como forma de minimizar as angústias.” (Redação de aluno)
      Manter o paralelismo sintático é importante para dar harmonia ao texto. Na passagem acima essa harmonia foi quebrada ao se introduzir o terceiro complemento do substantivo “busca”. Os dois primeiros são introduzidos pela preposição “de”; no terceiro, substitui-se indevidamente essa preposição pelo conjunto “como forma”.
 
      Eis a frase corrigida: “As pessoas têm procurado no consumo a ‘fórmula mágica’ para a felicidade, em busca do bem-estar, da realização pessoal e de minimizar as angústias.”

domingo, 15 de setembro de 2013

Evite a inadequação vocabular

        “Jovens foram às ruas protestar contra o aumento, mas foram repreendidos violentamente por policiais.” “A classe média pode ser considerada também revolucionária, já que a maioria das manifestações contemporâneas foi organizada por ela.” (Redações de alunos)
 
       Grande parte dos problemas nas redações situa-se na área semântica. Consiste, basicamente, de inadequação vocabular. O que provoca as inadequações? As passagens acima ilustram duas possibilidades, que são as mais comuns.
       Na primeira, a inadequação se deve à influência de um parônimo. A semelhança de sons entre as duas palavras levou o aluno a usar “repreender” no lugar de “reprimir”. Até que a ideia de “repreender violentamente” soa como um eufemismo irônico para a ação dos policiais, mas certamente o redator não teve essa intenção.
       Na segunda passagem, a impropriedade decorre do exagero com que se qualifica a classe média. Digamos que ela seja atuante, participante, engajada – mas não que, saindo às ruas, tivesse o propósito de fazer uma revolução.