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domingo, 18 de outubro de 2015

Falha gramatical e quebra do paralelismo

“A partir dos esforços internacionais, daquela década em diante tornaram-se conhecidas quão nocivas são as atividades humanas para a natureza e que o futuro na Terra só será possível com a preservação ambiental.” (Redação de aluno)

         A frase acima contém problemas de gramática e estruturação. A falha gramatical está representada pela flexão no plural da locução “tornou-se conhecido” (tornaram-se conhecidas). O sujeito dessa locução não é “as atividades humanas”, mas a oração seguinte.
A falha estrutural rural consiste na quebra do paralelismo entre as duas orações subjetivas; para haver harmonia, ambas devem começar pela conjunção “que”.
        
        Eis a frase corrigida: “A partir dos esforços internacionais, daquela década em diante tornou-se conhecido que as atividades humanas são muito nocivas para a natureza e que o futuro na Terra só será possível com a preservação ambiental.”

domingo, 11 de outubro de 2015

Tautologia com o verbo "urgir"

“Em virtude da crise humanitária à qual o mundo assiste, urge a necessidade da solidariedade entre os povos.” (Redação de aluno)  

         Na passagem acima ocorre tautologia, que é a repetição de uma ideia com palavras diferentes. Um dos sentidos do verbo “urgir” é “ser necessário”. Logo, constitui redundância afirmar que “urge uma necessidade”.


Eis a frase corrigida: “Em virtude da crise humanitária à qual o mundo assiste, urge que os povos sejam solidários.”

domingo, 4 de outubro de 2015

Evite o preciosismo

“O triunfante pode ter feito por merecer, ou quiçá possua maior propulsão geneticamente para a glória.” (Redação de aluno)

O autor da passagem acima tem a mania de “escrever difícil”. Ao invés de simplificar, complica. Como não vai ao dicionário para ver o exato sentido das palavras, usa as que lhe ocorrem e satisfazem o seu preciosismo (que é justamente o hábito de usar palavras pouco comuns).

A primeira inadequação é a troca de “vencedor” por “triunfante”. Quem vence triunfa, claro, mas não é comum se dizer, por exemplo, que Lewis Hamilton foi o “triunfante” de tal prêmio de Fórmula Um. O segundo vocábulo precioso é “quiçá”, em oposição a “talvez”. Eles são sinônimos, mas o espanholismo soa um tanto pernóstico.

O terceiro emprego vocabular indevido está no uso de “propulsão” em vez de “propensão”. “Propulsão” é “impulso” e não se confunde com “tendência”, ou “pendor”, que são mais adequados para caracterizar a influência genética.  

Eis a frase corrigida: “O vencedor pode ter feito por merecer, ou talvez possua maior propensão genética para a glória.”

domingo, 20 de setembro de 2015

Emprego de "cuja" e outros problemas

“O evento será sediado em um país cuja sua infraestrutura não é adequada para as pessoas, a criminalidade é alta, e cresce cada vez mais.” (Redação de aluno)

Na passagem acima ocorre erro no emprego do pronome relativo. “Cujo” e flexões não podem vir antecedidos de pronomes possessivos. Há também falha coesiva, pois a partir de “a criminalidade” vai-se falar do que ocorre “no país”; logo, o conectivo deve traduzir ideia de lugar. Também é dispensável a vírgula após o adjetivo “alta”.


Eis a frase corrigida: “O evento será sediado em um país cuja infraestrutura não é adequada para as pessoas e onde a criminalidade é alta e cresce cada vez mais.”

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O uso do verbo "atribuir"

“Cada vez mais o individual se sobrepõe ao coletivo. Atribui-se a isso a mentalidade capitalista que domina o mundo, na qual os interesses individuais estão acima do bem estar social.” (Redação de aluno)

Na passagem acima, há um equívoco na atribuição dos complementos do verbo “atribuir”. Um dos sentidos desse verbo, segundo o Houaiss, é o de “considerar alguém (ou algo) causador”. Por coerência, o capitalismo é que causa a gradativa sobreposição do individual ao coletivo – e não o contrário.
Logo, “a mentalidade capitalista” deve aparecer como objeto indireto, e o pronome “isso” como objeto direto (ou, no caso, sujeito de uma voz passiva). Na refeitura, deve-se também corrigir a falha no emprego do pronome relativo e a ortografia de “bem-estar” (que tem hífen).

        Eis a frase corrigida: “Cada vez mais o individual se sobrepõe ao coletivo. Atribui-se isso à mentalidade capitalista que domina o mundo, segundo a qual os interesses individuais estão acima do bem-estar da sociedade”.

domingo, 16 de agosto de 2015

O verbo "proliferar"

“A mídia pode usar suas diversas ferramentas de comunicação para proliferar a ideia de que não devemos permitir a banalização desse direito.” (Redação de aluno)

 Na passagem acima há um problema de regência. O verbo “proliferar”, que significa “propagar-se, crescer em número”, é intransitivo. O aluno o flexionou como transitivo direto, considerando “a ideia” como objeto direto quando ela na verdade é sujeito.
          
Há duas formas de corrigir a frase:  
- a primeira é substituir “proliferar” por um sinônimo: “A mídia pode usar suas diversas ferramentas de comunicação para disseminar (propagar) a ideia de que não devemos permitir a banalização desse direito”;
- a segunda é antepor a “proliferar” um verbo causativo do qual “a mídia” seja o sujeito: “A mídia pode usar suas diversas ferramentas de comunicação para fazer proliferar a ideia de que não devemos permitir a banalização desse direito”.

          Outro erro comum é dar esse verbo como pronominal: “A doença se proliferou por falta de boas condições higiênicas”. “Flexionar” dispensa o pronome. Deve-se dizer: “A doença proliferou por falta de boas condições higiênicas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Evite o "erro de acidente"

“Cinco rapazes atearam fogo no índio Galdino Jesus dos Santos, enquanto a vítima dormia numa parada de ônibus em Brasília. Esse fato, mesmo ocorrido há 18 anos, revela que os índios são vistos por grande parcela dos brasileiros não como compatriotas, mas como uma sociedade à parte.” (Redação de aluno).

Ocorre na passagem acima uma falácia conhecida como erro de acidente. Ela consiste em tomar o acidental pelo geral, o que leva a generalizações indevidas.
O aluno afirma que “cinco rapazes” atearam fogo em Galdino, e disso conclui que “grande parcela dos brasileiros” tende a excluir os índios.
O gesto dos rapazes não deixa de refletir uma mentalidade discriminatória, mas a indignação que provocou demonstra que a maior parte dos brasileiros não compartilha com o desprezo e a rejeição aos indígenas. É preciso ter cuidado com as extrapolações, que nem sempre correspondem à verdade.