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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fique atento ao indicar o sujeito


        A descoberta do monitoramento das ligações e redes sociais dos norte-americanos pela Agência de Segurança Nacional reflete a falta de privacidade e o desrespeito com a população.” (Redação de aluno)

          Na passagem acima há um problema de coerência. A forma como o aluno estruturou o período incrimina os que fizeram o bem e, por extensão, absolve os que fizeram o mal.

          Ao considerar como núcleo do sujeito a palavra “descoberta”, ele dá a entender que a ação da Agência de Segurança Nacional (e não a dos que monitoram) demonstra a falta de privacidade e o desrespeito com o povo. O aluno também se esqueceu de preposicionar “redes sociais”, que completa “monitoramento”.

         Eis uma melhor redação: “O monitoramento das ligações telefônicas e das redes sociais dos norte-americanos, descoberto pela Agência de Segurança Nacional, reflete a falta de privacidade e o desrespeito com a população.”

domingo, 26 de janeiro de 2014

Manter o tópico da sentença ajuda a dar unidade ao parágrafo

         “O prazer proporcionado pelo cigarro é algo passageiro. Pessoas viciadas tendem a desenvolver problemas respiratórios e câncer de pulmão, além de ser um vício difícil de ser deixado.” (Redação de aluno)

 
 A passagem acima tem problemas de estruturação. Primeiro, a informação do primeiro período não se conecta com que vem depois. Nele se fala do efêmero prazer que o cigarro proporciona, enquanto no seguinte o tema são os problemas provocados pelo fumo.
 
 No segundo período, por sinal, há uma grave falha coesiva: a locução “além de”, que deveria associar um novo predicado a “pessoas viciadas”, retoma abruptamente o termo “cigarro” (que se encontra no período anterior). Eis uma forma de dar unidade ao parágrafo:
 
 Segue uma sugestão para dar unidade ao parágrafo:
 
        “O prazer proporcionado pelo cigarro é passageiro. Além disso, o fumo tende a provocar problemas respiratórios e câncer de pulmão, pois é um vício difícil de ser deixado.”
 
           Ou, melhor ainda, por preservar o tópico sentencial (fumo) como sujeito do segundo período:  
 
       “O fumo proporciona um prazer passageiro. Além disso, tende a provocar problemas respiratórios e câncer de pulmão, pois é um vício difícil de ser deixado.”
 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Não quebre o paralelismo semântico


       “Um psicólogo é que irá dizer se a dependência é afetiva, profissional ou até mesmo inconsciente.” (Redação de aluno)

        Na passagem acima há quebra do paralelismo semântico. Ao caracterizar a dependência o aluno usa termos de campos lexicais distintos: “afetiva” diz respeito à emoção; “profissional” se relaciona com a atividade que a pessoa exerce; “inconsciente” alude ao nível perceptivo da dependência.

      A enumeração também tem falhas do ponto de vista do conceito, pois a dependência afetiva não exclui a profissional; pode levar a esta.

        A seguinte redação daria homogeneidade ao período: “Um psicólogo é que irá dizer se a dependência afetiva, que interfere na área profissional, tem motivos inconscientes.”

domingo, 12 de janeiro de 2014

Evite o eco

           “No nosso dia a dia, a leitura é fundamental para nossa educação e formação como um cidadão.” (Redação de aluno)
 
          A passagem acima não funciona bem do ponto de vista estilístico por mais de uma razão. A primeira é o uso de substantivos em lugar de verbos. Os verbos são mais enérgicos e devem preponderar sobre os nomes.
  
         A segunda razão salta aos... ouvidos. É a presença do eco, ou seja, a repetição de fonemas na parte final dos vocábulos. O ditongo nasal decrescente “ão” aparece nada menos de três vezes, gerando o que alguns professores chamam “concerto de tuba” (ãu,ãu, ãu...).
 
        Eis a frase corrigida: “No dia a dia, a leitura é fundamental para nos educar e nos formar como cidadãos.”

domingo, 29 de dezembro de 2013

Hipercorreção com advérbio


      “Naquele momento, foi obrigado a voltar para casa e, sincronicamente, elaborar outra mentira que desmentisse a anterior.” (Redação de aluno)

 
        O emprego do advérbio grifado na passagem acima não é aconselhável. Embora“sincrônico” signifique, segundo o Houaiss, “que ocorre, existe ou se apresenta precisamente ao mesmo tempo; simultâneo”, o uso de “sincronicamente” em vez de“ao mesmo tempo” constitui um caso de hipercorreção.

        Além do mais, o ato de “elaborar outra mentira” não parece simultâneo ao de “voltar para casa”; a ideia é que ele constitua uma ação posterior. Diante disso, o melhor é retirar o advérbio e deixar apenas a conjunção.
 
        Deve-se também colocar vírgula antes do pronome relativo, que introduz oração adjetiva explicativa; como o aluno se refere apenas a uma mentira, não há ideia de restrição.

         Eis a frase corrigida: “Naquele momento, foi obrigado a voltar para casa e elaborar outra mentira, que desmentisse a anterior.”

domingo, 22 de dezembro de 2013

Mau uso de "sinestesia" e outros problemas

             “A leitura nos proporciona uma sinestesia incrível, envolvemo-nos com as histórias narradas, saindo da realidade e adentrando no tão imprevisível e fascinante mundo da fantasia.” (Redação de aluno)

            Na passagem acima há problemas linguísticos em mais de uma área. Na área semântica, ocorre o uso inadequado de “sinestesia” e o emprego de um adjetivo que, de tão banalizado, nada acrescenta ao substantivo (o adjetivo “incrível”). Sinestesia significa “cruzamento de sensações” e não se confunde com a ideia, expressa pelo aluno, de “se envolver com as histórias”. A esse envolvimento dá-se o nome de empatia.

           Na área gramatical, há dois deslizes: o uso de vírgula em vez de ponto após “incrível”, o que deixa de delimitar o tópico frasal; e o emprego do verbo “adentrar” como transitivo indireto, quando na verdade ele é transitivo direto. Eis a frase corrigida:

            “A leitura nos proporciona grande empatia. Envolvemo-nos com as histórias narradas, saindo da realidade e adentrando o tão imprevisível e fascinante mundo da fantasia.”

domingo, 8 de dezembro de 2013

Não quebre a correlação

       “Dessa forma será possível saber se esse grupo é contra ou defende o mesmo ponto de vista.” (Redação de aluno)

       Certas expressões se articulam com outras e geram determinadas expectativas em quem as ouve. É o caso de “ser contra”, cujo inverso esperado é “ser a favor”.

       O aluno não observou isso na passagem acima, quebrando a simetria estrutural. Há duas formas de restabelecê-la:

       1) “Dessa forma será possível saber se esse grupo é contra ou a favor do mesmo ponto de vista.”

       2) “Dessa forma será possível saber se esse grupo ataca ou defende o mesmo ponto de vista.”

          O que não se deve é misturar as construções.