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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Período mal ordenado

          “O objetivo da quadrilha, de acordo com a Polícia Federal, era a obtenção de lucros através da execução de obras públicas, organizada e estruturada para a prática de variados delitos, como fraudes em licitações, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.” (Folhapress)

         O período está mal ordenado, o que lhe prejudica a clareza. O modo como está redigido sugere que a expressão em negrito se refere a “execução”, e não a “quadrilha”. Uma forma possível de resolver o problema é dividi-lo em dois. Por exemplo:

        “O objetivo da quadrilha, de acordo com a Polícia Federal, era a obtenção de lucros através da execução de obras públicas. Ela foi organizada para a prática de variados delitos, como fraudes em licitações, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.”

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Parágrafo incoerente devido a problema semântico e coesivo

           “A opinião alheia muitas vezes é irrelevante, pois os conselhos a serem aceitos por nós são mostrados por pessoas que amamos e temos alguma afinidade; sendo assim, a opinião torna-se relevante pela importância dessas pessoas em nossas vidas.”

          O parágrafo acima está confuso. O aluno considera irrelevante a opinião alheia com base no argumento de que só se devem aceitar conselhos das pessoas que amamos e pelas quais temos afinidades.  
         O uso da locução “são mostrados”, contudo, impede que ele expresse coerentemente essa ideia. Parece que as referidas pessoas são as mesmas cujos conselhos ele se dispõe a rejeitar. A mudança do verbo e da expressão conclusiva "sendo assim" tornaria claro o enunciado. Por exemplo:

        “A opinião alheia muitas vezes é irrelevante, pois os conselhos a serem aceitos devem vir das pessoas que amamos e por quem temos afinidade. Só nesse caso, em razão da importância que essas pessoas têm em nossas vidas, a opinião se torna relevante.”

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Refeitura de parágrafo verborrágico e precioso

        
        “O trabalho na escola vem se reduzindo a meros interesses de resultados em vestibulares. Não há como negar a importância de resultados, qualquer que seja o âmbito tratado, mas muito melhor é unido aos resultados observar o corpo gerador dos mesmos. E qual esse corpo gerador senão aquele formado pelo conjunto dos seguintes valores: amor, respeito, justiça, paz, solidariedade? Para ultrapassar a superfície de meros resultados, o conceito escola ter impresso em suas entranhas os já mencionados valores.” (Redação de um aluno)
        O parágrafo acima apresenta preciosismo e excesso de palavras. Expressões como “qualquer que seja o âmbito tratado”, “corpo gerador dos mesmos”, “superfície de meros resultados” e “ter impresso em suas entranhas” obscurecem o sentido e tornam praticamente incompreensível o pensamento do aluno. É preciso cortar algumas ou substituí-las por termos mais simples para dar clareza ao enunciado. Por exemplo:
       “O trabalho na escola vem se resumindo ao interesse por resultados no vestibular. Não há como negar a importância desses resultados, mas o importante é unir a eles a transmissão dos valores que os geram: amor, respeito, justiça, paz, solidariedade. A escola deve se comprometer sobretudo com esses valores”.

domingo, 30 de outubro de 2011

Mau uso da palavra "cerne"

     
       “Funcionários públicos roubam os impostos arrecadados para custear o luxo, e a população, mesmo dotada de cerne, não faz nada a respeito.” (Da redação de um aluno)

       Na passagem acima, o substantivo “cerne” não se ajusta ao contexto da frase. Ele aparece, por exemplo, em “discernir”, que significa “distinguir, diferenciar”. Etimologicamente, discernir é separar o essencial (o cerne) do que é acessório. Esse conceito levou o aluno a estender a ideia de discernimento à palavra “cerne”, e a tomar este termo pelo outro. Eis a correção:
       “Funcionários públicos roubam os impostos arrecadados para custear o luxo, e a população, mesmo dotada de discernimento, não faz nada a respeito.”

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Confusão entre os complementos

            “Um grupo de assaltantes rendeu e levou o carro de uma família”. (Da redação de um aluno).  

         Na frase acima o estudante parece atribuir o mesmo complemento aos dois verbos da oração. Com isso cria uma incoerência, pois dá a entender que o bandido rendeu o carro antes de levá-lo. A atribuição de cada complemento a um verbo torna claro o enunciado:
        “Um grupo de assaltantes rendeu uma família e levou-lhe o carro”.

domingo, 2 de outubro de 2011

O que é o "lheísmo"?

Lheísmo - É o uso do pronome “lhe” como objeto direto. Exemplo: “Eu lhe vejo no cinema amanhã”. O lheísmo só ocorre na segunda pessoa indireta, ou seja, quando o objeto representa alguém com quem se fala mas a flexão verbal corresponde à pessoa de quem se fala (ele). A segunda pessoa indireta equivale a “você”, que os brasileiros preferem ao “tu”.
   O uso do “lhe” no lugar do “o” não deve ser corrigido em discursos informais, pois indica intimidade com o interlocutor e caracteriza um tipo de registro. Já as formas “o, as, os, as” tendem a aparecer, mesmo na segunda pessoa indireta, quando em vez de proximidade quer-se indicar distância. Por exemplo: “Faça o favor de me respeitar. Não o conheço” (em vez de “Não lhe conheço”).

sábado, 1 de outubro de 2011

O gênero de "fondue"

          “Continue saboreando todas as noites de sábado o melhor fondue da cidade!” (Comercial de restaurante)

       “Fondue” é palavra feminina. Constitui o particípio passado do verbo “fondre”, que significa fundir. A forma masculina é “fondu” (fundido); acrescida da desinência “e”, passa ao gênero feminino. O mesmo ocorre com “rompue” (rompida), “entendue” (entendida), “perdue” (perdida) etc.
      O correto, pois, é dizer “a melhor fondue”. Do contrário, funde-se o queijo e... a cuca.