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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Não existe "adéqua"

          “Por isso, devemos escolher o curso que mais se adéqua a nossa natureza.” (Da redação de um aluno)

         O verbo “adequar” é defectivo; por razões de eufonia, ele não se flexiona em todas as pessoas do presente do indicativo, do subjuntivo, e nas formas do imperativo delas derivadas. É conjugado apenas nas formas arrizotônicas, ou seja, aquelas em que a sílaba tônica está fora do radical (nós adequamos, vós adequais; nós adequemos, vós adequeis).

          Sendo assim, não existe “adéquo” (assim como não existem “adéquas”, “adéquam”; “adeque”, “adeques”, “adequem”). A saída, em casos como esse, é substituir a forma verbal por um sinônimo: “Por isso, devemos escolher o curso que mais se ajusta a nossa natureza.”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O que é "antimetábole"?

          É a repetição invertida dos componentes de uma frase. Por meia dela se opõem dois conceitos e se opta por um deles: “É melhor perder um minuto na vida do que a vida num minuto”. Nesse exemplo, opõe-se precipitação a paciência.

          A antimetábole comumente se associa a conteúdos sentenciosos, que expressam verdades gerais: “Onde os meninos camparem de doutores, os doutores não passarão de meninos” (Rui Barbosa). No exemplo seguinte, defende-se a moderação nos hábitos alimentares: “Deve-se comer para viver, e não viver para comer.”

         A eficiência da antimetábole está em que o jogo da inversão parece reforçar o conteúdo sentencioso. Às vezes a figura não se associa a uma sentença -- constitui apenas um jogo, como neste exemplo dado por Zélio dos Santos Jota: “Oto ama Ana e Ana ama Oto.”

domingo, 8 de janeiro de 2012

A diferença entre "segmento" e "seguimento"

“Os jovens sofrem porque é incrível o excesso de regras aplicadas a esse seguimento da população.” (Da redação de um aluno)

Nessa frase há uma troca de palavras comum nas redações dos vestibulandos. A semelhança de som leva-os a confundir “segmento” (seção, parte de um todo) com o substantivo “seguimento”.

Tal substantivo, que se forma por meio do sufixo “mento” , é a “ação ou o efeito de seguir, continuar”. Significa também “resultado”, “conseqüência”, em frases do tipo: “O protesto dos funcionários não teve seguimento”.

         O aluno deveria ter escrito: “Os jovens sofrem porque é incrível o excesso de regras aplicadas a esse segmento da população.”

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Diferença entre "como exemplo de" e "a exemplo de"

      
            “As vítimas de bullying têm transtornos psicológicos, como exemplo do que  aconteceu com o Wellington Menezes de Oliveira, que num acesso de loucura matou vários adolescentes.” (Redação de aluno)
              É comum a confusão entre “como exemplo de” e “a exemplo de”. A primeira locução serve para introduzir ação, estado ou coisa que constituem exemplos: “Como exemplo de preocupação com o futuro, destaca-se o interesse pela ecologia.” A segunda tem valor conformativo e significa “conforme o exemplo dado por”: “Hoje muitos se mobilizam contra a corrupção, a exemplo dos jovens que protestam na internet”.
          Esta última é a que cabe na frase do aluno: “As vítimas de bullying têm transtornos psicológicos, a exemplo de Wellington Menezes de Oliveira, que num acesso de loucura matou vários adolescentes.”

O verbo "repercutir"

“A parceria entre a família e a escola repercute em uma boa educação para os jovens.”  (Da redação de um aluno)
Há na passagem acima uma inadequação semântica. “Repercutir”, verbo transitivo direto ou intransitivo, significa “refletir”, “causar impressão”. Exemplos: “A sala repercute o som dos cristais”, “A resolução do diretor repercutiu bem entre os alunos”.
           Redundar”, que significa “resultar”, “ter como efeito”, traduz melhor a ideia do aluno. Eis a frase correta: “A parceria entre a família e a escola redunda em uma boa educação para os jovens."

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"Em função de" não tem valor causal

        “A prova teve que ser adiada em função do alto número de candidatos.” (Redação de aluno)  

      A locução prepositiva “em função de” significa de “acordo com”, “em conformidade com”, “na dependência de”, “em resultado de”. Estão corretas frases como: “Ele age em função das normas”, “Sem trabalho, vive hoje em função do pai”, “Conquistou a garota em função de muito penar”.

       “Em função de” não tem valor causal. Quando há ideia de causa, como na frase do aluno, deve-se usar “em razão de” ou locução equivalente (“devido a”, “por causa de” etc.). O alto número de candidatos foi o motivo pelo qual a prova teve que ser adiada.

        O correto, então, é escrever: “A prova teve que ser adiada em razão do alto número de candidatos”.