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domingo, 23 de março de 2014

Tautologia com o verbo "acarretar"

      “Os conflitos entre as pessoas podem destruir casamentos, famílias, amizades e acarretar como consequência sequelas como a depressão, dependência de drogas, isolamento social.” (Redação de aluno)

          A tautologia é o vício de linguagem pelo qual se repete uma ideia com outras palavras. Um exemplo ocorre na passagem acima, pois é dispensável dizer que algo acarreta “como consequência” alguma coisa. Acarretar já significa “ter como consequência”. Na correção dessa frase deve-se também uniformizar o emprego do artigo, para manter o paralelismo.

         Eis a frase corrigida: “Os conflitos entre as pessoas podem destruir casamentos, famílias, amizades e acarretar sequelas como a depressão, a dependência de drogas, o isolamento social.”

domingo, 16 de março de 2014

A boa ordem concorre para a clareza do texto

      “Em uma sociedade moderna, com o aumento da competição, os distúrbios tendem a aumentar, como: a depressão, o suicídio, e a solidão.” (Redação de aluno)

Ordenar bem o período é dos requisitos para obter clareza. Uma frase mal ordenada, ainda que tenha nexo, faz o leitor interromper a sequência da leitura. Mesmo que ele apreenda o sentido global, perde tempo reorganizando mentalmente o texto. Muitas vezes tem que voltar ao início para compreender tudo.

Exemplo de má ordenação é a passagem acima. O aluno afirma que a incidência de determinados distúrbios tende a aumentar na sociedade moderna, em que é grande a competição.

        O problema é que ele exemplifica alguns desses distúrbios (ou melhor: apenas um, pois o suicídio e a solidão não são distúrbios) depois de completar o período. Essa indicação “fora de tempo”, agravada pela inadequação dos exemplos, acaba desnorteando o leitor.
   
       Eis uma melhor redação: “Em uma sociedade moderna, com o aumento da competição, distúrbios como a depressão tendem a aumentar. Isso agrava a solidão das pessoas e pode levá-las ao suicídio.”

domingo, 9 de março de 2014

Evite as incoerências

       “Devido ao grande preconceito existente na sociedade, a maioria das pessoas menos favorecidas são marginalizadas, pois se assustam com atos tão bárbaros como o rolezinho.” (Redação de aluno)

        No período acima há incoerência. É impossível entender o que quis dizer o aluno, pois não há nexo entre a afirmação principal (sobre a marginalização das pessoas menos favorecidas) e a explicação apresentada para justificá-la.

      Consta nessa explicação que os marginalizados se assustam com os rolezinhos, quando o natural seria o oposto; os comerciantes e os que dispõem de algum dinheiro para consumir é que, em tese, se sentem ameaçados por esses encontros. Além disso, por mais que neles haja irreverência e tumulto, é exagero qualificá-los de “bárbaros”.

        Eis uma melhor versão: “Devido ao preconceito existente na sociedade, a maioria das pessoas menos favorecidas é marginalizada e assusta os que se sentem ameaçados pelos rolezinhos.”

domingo, 2 de março de 2014

A refeitura deve perseguir a economia e a simplicidade

           “Rolezinhos são encontros de pessoas (sendo de maioria jovens da classe média baixa) criados por meio de redes sociais, que tem como principal local de frequentação os shoppings centers. (Redação de aluno)

           Refazer frases e parágrafos é a melhor forma de conscientizar o aluno sobre os problemas linguísticos da redação. Apenas grifar os erros e dar uma nota não resolve. Ao reelaborar o texto, o aluno confronta a versão insuficiente com a versão corrigida e a partir daí percebe em que deve melhorar.
   
     O fragmento acima transcrito apresenta sobretudo problemas semânticos. Na refeitura deve-se proceder à adequação vocabular, observando sempre o princípio da economia e da simplicidade. Eis versão a que se chegou em classe:

        “Rolezinhos são encontros de pessoas (a maioria jovens da classe média baixa), articulados por meio das redes sociais. Ocorrem sobretudo nos shopping centers.”

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Evite os cruzamentos sintáticos

      “Muitas vezes a causa do envolvimento de adolescentes da classe média em furtos, é para conseguirem dinheiro para álcool e drogas.” (Redação de aluno)

     Na passagem acima há um problema de cruzamento sintático. O aluno inicia o período se propondo a indicar uma causa, que seria explicitada num predicativo do sujeito (A causa é...). Após a vírgula (por sinal, indevida), apresenta um conectivo introdutor de oração final. A mistura denota um raciocínio confuso e quebra a coesão.


     Há duas possibilidades de corrigir o período. A primeira, indicando o predicativo do sujeito “a causa”; a segunda, introduzindo a oração final. Exemplos:


     - “Muitas vezes a causa do envolvimento de adolescentes da classe média em furtos é o propósito de conseguir dinheiro para álcool e drogas.”

  
   - “Muitas vezes os adolescentes da classe média se envolvem em furtos a fim de conseguir dinheiro para álcool e drogas.”  



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Escrever demais complica


        “As camadas mais pobres da população como um todo enfrentam péssimas condições de saúde.” (Redação de aluno)

 
         O período acima é um bom exemplo de como escrever demais complica. Acréscimos desnecessários na melhor das hipóteses não dizem nada; e na pior, comprometem o que havia sido bem formulado.


         Uma coisa é a população, que constitui um todo; outra coisa são as suas camadas pobres, que obviamente representam uma fração dessa totalidade. Associar as duas grandezas e falar das “camadas mais pobres como um todo” é um paradoxo e torna incoerente o texto.

       Bastaria o aluno ele ter escrito: “As camadas mais pobres da população enfrentam péssimas condições de saúde.”

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fique atento ao indicar o sujeito


        A descoberta do monitoramento das ligações e redes sociais dos norte-americanos pela Agência de Segurança Nacional reflete a falta de privacidade e o desrespeito com a população.” (Redação de aluno)

          Na passagem acima há um problema de coerência. A forma como o aluno estruturou o período incrimina os que fizeram o bem e, por extensão, absolve os que fizeram o mal.

          Ao considerar como núcleo do sujeito a palavra “descoberta”, ele dá a entender que a ação da Agência de Segurança Nacional (e não a dos que monitoram) demonstra a falta de privacidade e o desrespeito com o povo. O aluno também se esqueceu de preposicionar “redes sociais”, que completa “monitoramento”.

         Eis uma melhor redação: “O monitoramento das ligações telefônicas e das redes sociais dos norte-americanos, descoberto pela Agência de Segurança Nacional, reflete a falta de privacidade e o desrespeito com a população.”