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domingo, 13 de outubro de 2013

Evite repetir os conectivos

           Para que este pensamento machista diminua é necessária a conscientização dos cidadãos, com a promoção de campanhas e a valorização da mulher no meio escolar, para que todos percebam que elas não mais o sexo frágil.” (Redação de aluno)

         A passagem acima apresenta falha estrutural. O motivo é a repetição da circunstância de finalidade (introduzida pela locução “para que”) tanto no início quanto no fim do período. Qual é, afinal de contas, o objetivo de se conscientizar os cidadãos? Mudar o pensamento machista ou fazer as pessoas perceberem que a mulher não é mais o sexo frágil?

        Uma coisa praticamente significa a outra, de modo que é possível resumi-las numa única ideia de fim. É o que se faz abaixo (aproveitando-se também para enxugar o texto):

        “Para mudar esse pensamento machista, é necessário conscientizar as pessoas de que a mulher não é mais o sexo frágil. Isso pode ser feito por meio de campanhas que a  valorizem no meio escolar.”

domingo, 6 de outubro de 2013

Inadequação vocabular por influência de metonímia

          “É preciso que a comunidade brasileira participe e fiscalize essas ações governamentais para que juntos possamos tear fio por fio a tão sonhada igualdade de gêneros.” (Redação de aluno)
        Na passagem acima há um problema gramatical e outro semântico. O gramatical é a atribuição de um mesmo complemento a verbos de regências diferentes (“participar” é transitivo indireto; “fiscalizar”, transitivo direto). O ideal é suprimir um desses verbos.
        O problema semântico é um curioso exemplo de imprecisão vocabular devido a uma relação metonímica. Explicando: não existe o verbo “tear”. O tear é o artefato com que se tece. O desvio metonímico consiste, pois, em se usar o instrumento pela ação.
 
         Eis a frase corrigida: “É preciso que a comunidade brasileira fiscalize essas ações governamentais para que juntos possamos tecer fio por fio a tão sonhada igualdade de gêneros.”

domingo, 22 de setembro de 2013

Paralelismo e harmonia textual

        “As pessoas têm procurado no consumo a ‘fórmula mágica’ para a felicidade, em busca do bem-estar, da realização pessoal e como forma de minimizar as angústias.” (Redação de aluno)
      Manter o paralelismo sintático é importante para dar harmonia ao texto. Na passagem acima essa harmonia foi quebrada ao se introduzir o terceiro complemento do substantivo “busca”. Os dois primeiros são introduzidos pela preposição “de”; no terceiro, substitui-se indevidamente essa preposição pelo conjunto “como forma”.
 
      Eis a frase corrigida: “As pessoas têm procurado no consumo a ‘fórmula mágica’ para a felicidade, em busca do bem-estar, da realização pessoal e de minimizar as angústias.”

domingo, 15 de setembro de 2013

Evite a inadequação vocabular

        “Jovens foram às ruas protestar contra o aumento, mas foram repreendidos violentamente por policiais.” “A classe média pode ser considerada também revolucionária, já que a maioria das manifestações contemporâneas foi organizada por ela.” (Redações de alunos)
 
       Grande parte dos problemas nas redações situa-se na área semântica. Consiste, basicamente, de inadequação vocabular. O que provoca as inadequações? As passagens acima ilustram duas possibilidades, que são as mais comuns.
       Na primeira, a inadequação se deve à influência de um parônimo. A semelhança de sons entre as duas palavras levou o aluno a usar “repreender” no lugar de “reprimir”. Até que a ideia de “repreender violentamente” soa como um eufemismo irônico para a ação dos policiais, mas certamente o redator não teve essa intenção.
       Na segunda passagem, a impropriedade decorre do exagero com que se qualifica a classe média. Digamos que ela seja atuante, participante, engajada – mas não que, saindo às ruas, tivesse o propósito de fazer uma revolução.

domingo, 25 de agosto de 2013

Uso inadequado dos conectivos

        “Entre os principais motivos para o consumismo está no crescimento do salário e a facilidade para conseguir cartão de crédito.” (Redação de aluno)
         Na passagem acima, há falha de coesão devido ao uso inadequado dos conectivos. A preposição “entre” não admite o emprego do “em”, que antecede “crescimento”.
         O aluno não se decide entre apresentar “os principais motivos” como adjunto adverbial ou como sujeito. Caso optasse pela primeira opção, teria que suprimir a preposição “em”; caso optasse pela segunda, teria que retirar o primeiro dos conectivos e substituir o verbo “estar” por “ser”. Eis as duas possibilidades:  
  1 -“Entre os principais motivos para o consumismo, estão o crescimento do salário e a facilidade para conseguir cartão de crédito.”
 2 - “Os principais motivos para o consumismo são o crescimento do salário e a facilidade para conseguir cartão de crédito.”

domingo, 11 de agosto de 2013

"Indiferença" não é o mesmo que "aversão"

           “O preconceito não vem do berço. Ninguém já nasce detestando alguém só por ser diferente da maioria. Esse sentimento de indiferença pode vir dos pais ou ser influenciado pelo meio em que se vive.” (Redação de aluno)

         A coesão por reiteração é uma das formas de dar unidade ao texto. Ela consiste em retomar o conteúdo de um termo por meio de vocábulos lexicais, ou seja, vocábulos que não pertencem ao universo da gramática. Uma das possibilidades de fazer isso é utilizar sinônimos. Para que o processo seja eficiente, é preciso ficar atento à equivalência de sentidos. Na frase acima, o aluno não observou isso; tratou aversão e indiferença como se fossem a mesma coisa.
  
         “O preconceito não vem do berço. Ninguém já nasce detestando alguém só por ser diferente da maioria. Esse sentimento de aversão pode vir dos pais ou ser influenciado pelo meio em que se vive.” 

domingo, 4 de agosto de 2013

Mantenha a simetria estrutural

          “Precisa-se de professores qualificados e da conscientização dos médicos para trabalhar no interior desde que tenham condições para isso.” (Redação de aluno)
          O paralelismo é importante para manter o equilíbrio estrutural da frase. Na passagem acima ele foi quebrado devido à coordenação de dois objetos indiretos morfologicamente distintos. O primeiro é um substantivo concreto (professor); o segundo, um substantivo abstrato (conscientização).
         Para manter a simetria, devem-se coordenar termos da mesma natureza. Na passagem do aluno, é melhor ligar as pessoas (professores e médicos) do que as qualidades (qualificação e conscientização).
         Eis a frase corrigida: “Precisa-se de professores qualificados e de médicos conscientes para trabalhar no interior desde que tenham condições para isso.”