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domingo, 26 de abril de 2015

Não abuse de "não só... como também"

Não só este fator como também vários outros prejudicam não só o futuro de vários jovens, como também comprometem o desenvolvimento do Brasil economicamente, politicamente e socialmente.” (Redação de aluno)

Na passagem acima ocorre o abuso do par correlativo “não só... como também”. O aluno utiliza-o duas vezes, o que sobrecarrega a frase e predispõe a um problema comum no uso desse par: a quebra do paralelismo sintático.
Essa quebra ocorre na segunda ocorrência, em que erroneamente se correlacionam um substantivo (futuro) e uma oração (afetam o futuro do Brasil). Para haver paralelismo, os consequentes devem ter a mesma estrutura.

        “Este fator e vários outros não só prejudicam o futuro dos jovens, como também comprometem o desenvolvimento do Brasil do ponto de vista econômico, político e social.”
 

domingo, 19 de abril de 2015

Evite confundir conceitos filosóficos

 “A teoria existencialista alega que o homem é produto do meio em que está inserido.” (Redação de aluno)

         A citação de termos científicos ou filosóficas na redação tem os seus riscos. O maior deles é se confundir os conceitos, como fez o estudante na passagem acima.
        
          O existencialismo se opõe ao princípio determinista de que o homem é produto do meio. Vê o ser humano como fruto das suas escolhas, que decorrem de uma consciência livre. O homem está condenado à liberdade, conforme escreveu Jean-Paul Sartre, um de seus principais representantes.
       
        Eis a frase corrigida: “A teoria determinista afirma que o homem é produto do meio em que está inserido.”

Evite a ambiguidade

            “Alguns se preocupam bastante em postar frases ou até mesmo textos que possam atrair a atenção e então ganhar seguidores.” (Redação de aluno)

           Já dizia Montaigne que a clareza é a maior virtude de um texto. Frases ambíguas comprometem o que se quer dizer e desnorteiam o leitor. É o que ocorre na passagem acima; o estudante dá a entender que os textos, e não quem os escreve, poderão ganhar seguidores.
  
          Resolve-se o problema acrescentando o que falta para dar lógica ao enunciado:  
          “Alguns se preocupam bastante em postar frases ou até mesmo textos que possam atrair a atenção e os façam ganhar seguidores.”

domingo, 12 de abril de 2015

Má ordenação das palavras pode gerar ambiguidade

“Diante disso, é necessária a extinção de práticas violentas na recepção de novos alunos que trazem risco à saúde física e mental.” (Redação de aluno)

Na passagem acima, de uma redação sobre o trote, ocorre ambiguidade devido à má ordenação dos termos. O pronome relativo “que” parece retomar “alunos”, quando na verdade se refere a “práticas violentas”. São estas que trazem risco à saúde.  
 Pode-se resolver o problema de duas formas:

1) deslocando a oração adjetiva para junto do termo ao qual ela se refere: “Diante disso, é necessária a extinção de práticas violentas, que trazem risco à saúde física e mental, na recepção de novos alunos.”


2)  dividindo o período em dois e indicando com clareza o sujeito da segunda oração:  “Diante disso, é necessária a extinção de práticas violentas na recepção de novos alunos. Elas trazem risco à saúde física e mental.”

domingo, 15 de março de 2015

Evite inversões que comprometem a lógica

        “Essa situação revela o atraso que o racismo representa e a rapidez necessária para combatê-lo.” (Redação de aluno)

Há um pequeno problema lógico na passagem acima. O motivo é a inversão dos termos que compõem o segundo objeto direto do verbo “revelar”. O que a situação antes descrita pelo aluno revela sobre o racismo, além do atraso, não é “a rapidez necessária pare combatê-lo”; é a necessidade de combater prontamente esse tipo de discriminação.

        Eis a frase corrigida: “Essa situação revela o atraso que o racismo representa e a necessidade de combatê-lo rapidamente.”

domingo, 4 de janeiro de 2015

Use as palavras com rigor

       Visualmente o número de pessoas aderentes da legalização da maconha é imenso.” (Redação de aluno)

      Sem rigor no uso das palavras, não se produz um bom texto. A passagem acima confirma isso; tanto o advérbio “visualmente” quanto o adjetivo “aderentes” não estão bem empregados.
        Deve ter passado pela cabeça do aluno a ideia de que é visível, notório, o número de pessoas que pregam a legalização da maconha, mas não foi isso que ele transmitiu. Teria sido mais claro, se escrevesse:


     Visivelmente o número de pessoas adeptas da legalização da maconha é imenso.”

sábado, 6 de dezembro de 2014

Evite o excesso de pronomes

     “Dependendo do nível de timidez, ela pode ou não se tornar um obstáculo.” “O homem que lutar por suas aspirações, este viverá uma vida farta e fará bem para si e  para a sociedade.” (Redações de alunos)

         Escrever é cortar. Esse princípio não foi observado nas passagens acima, em que há um excesso provocado pelo uso, respectivamente, de pronome pessoal e demonstrativo.
        O motivo, no primeiro caso, é a indicação do sintagma “nível de timidez”, em que a explicitação do determinante faz com que “timidez” seja redundantemente repetido pelo pronome “ela”.
      No segundo, o motivo é a topicalização, muito comum na linguagem oral (“O diretor, ele disse que amanhã não haveria aula”). O termo “o homem” (seguido da oração adjetiva) aparece como tópico, separado por vírgula do restante do período. Em decorrência disso, é retomado pleonasticamente pelo pronome “este”.

        Eis as frases corrigidas: “Dependendo do nível, a timidez pode ou não se tornar um obstáculo.” “O homem que lutar por suas aspirações viverá uma vida farta e fará bem para si e para a sociedade.”