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domingo, 4 de janeiro de 2015

Use as palavras com rigor

       Visualmente o número de pessoas aderentes da legalização da maconha é imenso.” (Redação de aluno)

      Sem rigor no uso das palavras, não se produz um bom texto. A passagem acima confirma isso; tanto o advérbio “visualmente” quanto o adjetivo “aderentes” não estão bem empregados.
        Deve ter passado pela cabeça do aluno a ideia de que é visível, notório, o número de pessoas que pregam a legalização da maconha, mas não foi isso que ele transmitiu. Teria sido mais claro, se escrevesse:


     Visivelmente o número de pessoas adeptas da legalização da maconha é imenso.”

sábado, 6 de dezembro de 2014

Evite o excesso de pronomes

     “Dependendo do nível de timidez, ela pode ou não se tornar um obstáculo.” “O homem que lutar por suas aspirações, este viverá uma vida farta e fará bem para si e  para a sociedade.” (Redações de alunos)

         Escrever é cortar. Esse princípio não foi observado nas passagens acima, em que há um excesso provocado pelo uso, respectivamente, de pronome pessoal e demonstrativo.
        O motivo, no primeiro caso, é a indicação do sintagma “nível de timidez”, em que a explicitação do determinante faz com que “timidez” seja redundantemente repetido pelo pronome “ela”.
      No segundo, o motivo é a topicalização, muito comum na linguagem oral (“O diretor, ele disse que amanhã não haveria aula”). O termo “o homem” (seguido da oração adjetiva) aparece como tópico, separado por vírgula do restante do período. Em decorrência disso, é retomado pleonasticamente pelo pronome “este”.

        Eis as frases corrigidas: “Dependendo do nível, a timidez pode ou não se tornar um obstáculo.” “O homem que lutar por suas aspirações viverá uma vida farta e fará bem para si e para a sociedade.”

"tolerante a" e "tolerante com"

     “É normal que a sociedade seja mais tolerante a certos vícios que a outros, pois há dependências menos mal que outras.” (Redação de aluno)

      Na passagem acima há um problema de regência nominal. Quando o assunto é vício ligado a drogas, costuma-se distinguir “tolerante a” de “tolerante com”. A “tolerância (ou intolerância) a” diz respeito à possibilidade de o usuário suportar ou não os efeitos da substância. Já a “tolerância com” se refere ao juízo moral que se faz do seu uso. Ser tolerante com as drogas é não recriminar o usuário. Existe ainda nessa passagem um problema morfológico. O aluno usou o advérbio mal em vez do adjetivo maléfico.

      Eis a frase corrigida: “É normal que a sociedade que a sociedade seja mais tolerante com certos vícios que com outros, pois há dependências menos maléficas que outras.”

Observe a pontuação e a coesão textual

“É comum estar inserido em um grupo de amigos, que são pessoas que passam a maior parte do tempo juntas, sendo assim suas ações influenciam uns aos outros atingindo uma uniformidade.” (Redação de aluno)

       Na passagem acima há problema de pontuação e coesão textual. Antes de “sendo assim” cabe ponto e vírgula, ou mesmo ponto; a vírgula, que indica uma pausa de pequena extensão, liga termos de idêntica função sintática. No fragmento do aluno há uma pausa de grande extensão antes do enunciado conclusivo.

         A falha coesiva está em apresentar “uns aos outros” como complemento do verbo influenciar. Isso gera um truncamento que se reflete inclusive na concordância: “suas ações” (feminino) é retomada por uma expressão no masculino (uns aos outros). Também o uso do gerúndio (atingindo) constitui falha de coesão, pois o sujeito dessa forma nominal não pode ser, como o estudante sugere, “suas ações”. O sujeito é, na verdade, todo o conteúdo da oração anterior.

        Eis a frase corrigida: “É comum querer se inserir em um grupo de amigos. Eles passam a maior parte do tempo juntos; sendo assim, as ações de uns influenciam as dos outros, o que leva a uma uniformidade de comportamento.”

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mantenha a simetria estrutural

“A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. As consequências são: para o primeiro caso, a formação de cidadãos alienados e manipulados; para o segundo caso, impedir que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; para o terceiro caso, prejudica a difusão da diversidade cultural.” (Redação de aluno)

Na passagem acima ocorre quebra de paralelismo. O aluno apresenta, em processo coordenativo, as consequências da ação da mídia em três âmbitos. Era preciso que esses âmbitos estivessem estruturados da mesma forma, o que não ocorreu; a sequência começa com um substantivo (formação) e se completa com verbos, que ainda por cima aparecem em flexões temporais (impedir, prejudica).

Pode-se estabelecer o paralelismo tomando como referência o substantivo ou qualquer dos tempos verbais. Por exemplo:

- “A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. As consequências são, no primeiro, a formação de cidadãos alienados e manipulados; no segundo, o impedimento a que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; e no terceiro, o prejuízo para a difusão da diversidade cultural.”

- “A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. As consequências são, no primeiro, formar cidadãos alienados e manipulados; no segundo, impedir que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; e no terceiro, prejudicar a difusão da diversidade cultural.”

- “A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. No primeiro, forma cidadãos alienados e manipulados; no segundo, impede que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; e no terceiro, prejudica a difusão da diversidade cultural.”

        O importante é que haja simetria estrutural entre os termos coordenados.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Evite trocar o efeito pela causa

      “O uso frequente da maconha causa problemas cardiorespiratórios e neurológicos, devido às toxinas e a degeneração dos neurônios.” (Redação de aluno)

      Na passagem acima há falhas gramaticais e um problema lógico. As primeiras dizem respeito à ortografia (em “cardiorrespiratório” o ‘r’ se duplica para indicar o som da consoante vibrante múltipla) e à não indicação da crase.
    O segundo decorre de o estudante alinhar como causas “as toxinas” e “a degeneração dos neurônios”, quando esta é na verdade efeito daquelas.  A degeneração neuronial explica os problemas neurológicos, que são causados pelas toxinas. 

   Eis a frase corrigida: “O uso frequente da maconha causa problemas cardiorrespiratórios e neurológicos, devido às toxinas, que levam à degeneração dos neurônios.”

domingo, 17 de agosto de 2014

Incoerência decorrente de dupla negação

   “Teorias científicas vindas do Século das Luzes não fortalecem a não existência de Deus, mas, muitas vezes, confirma.” (Redação de aluno)

       A passagem acima apresenta problemas gramaticais, mas o que tem de mais grave é a incoerência decorrente uso da dupla negação.
    O aluno quer dizer que as teorias científicas vindas do Iluminismo, em vez de fortalecer a descrença em Deus, muitas vezes reforçam a convicção de que Ele existe.  Em vez disso, dá a entender que tais teorias tendem a confirmar a Sua inexistência. O contraste, mal expresso, não é entre fortalecer e confirmar, mas entre não existir e existir.

    Eis a frase corrigida: “Teorias científicas vindas do Século das Luzes não contestam a existência de Deus, mas, muitas vezes, a confirmam.”