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domingo, 25 de dezembro de 2016

A regência do verbo "focar"

 “O governo precisa focar nas prioridades da população.” (Redação de aluno)

Na frase acima, o aluno cometeu uma falha de regência. O verbo “focar” é transitivo direto, ou seja, liga-se ao complemento sem o intermédio de preposição. Foca-se “alguma coisa” e não “em alguma coisa”.
Essa confusão se deve, em parte à interferência do substantivo "foco". Como o complemento desse substantivo é preposicionado (mantém-se o foco em alguma coisa), tende-se a estender a preposição ao complemento do verbo.
Portanto, se você escrever que pretende focar “em seus objetivos”, não pode incluir entre eles a aprovação numa prova de português!

Eis a frase corrigida: “O governo precisa focar as prioridades da população.” 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Uso inadequado de "aderir" e "cessão"

“Os sábados aderiram sinônimos de desconforto devido ao barulho de certos cultos religiosos. Diante desse quadro, solicitamos a cessão desses atos de maneira rápida e efetiva.” (Redação de aluno)

       Na passagem acima o verbo “aderir” e o substantivo “cessão” estão indevidamente empregados. Problemas semânticos como esses decorrem do desconhecimento do sentido das palavras ou da confusão que às vezes se faz entre parônimos (palavras que se assemelham pelo som).
         
“Aderir” não significa “virar”, “tornar-se”, que cabem no contexto da frase. Da mesma forma, o substantivo correspondente a “cessar” é “cessação”, e não “cessão” (que corresponde ao verbo “ceder”). 

Eis a frase corrigida: “Os sábados tornaram-se sinônimo de desconforto devido ao barulho de certos cultos religiosos. Diante desse quadro, solicitamos a cessação desses atos de maneira rápida e efetiva.”

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Refazendo período

“A respeito dos refugiados, a ONU deve pensar numa maneira melhor de absorver a enorme demanda e que mantê-los em seus países e negar abrigo, é praticamente negar suas vidas.” (Redação de aluno)

Na passagem acima, há quebra de paralelismo. O aluno coordena caoticamente os dois objetos diretos do verbo “pensar”. O primeiro, por meio de um substantivo: “numa melhor maneira”; o segundo, por meio de uma oração (à qual, a propósito, falta a preposição “em”): “e (em) que mantê-los em seus países e negar abrigo é praticamente negar suas vidas”. Além disso, separa por vírgula os sujeitos oracionais da segunda oração objetiva direta.
A melhor maneira de resolver o problema é manter o primeiro objeto direto e substituir “em que” pelo conectivo “pois”, transformando em explicação o que é um forçado e artificial complemento verbal. E por que não ser direto e apresentar logo “a ONU” como sujeito?   

Eis a frase corrigida: “A ONU deve pensar numa maneira melhor de absorver a enorme demanda dos refugiados, pois mantê-los em seus países e negar abrigo é praticamente negar suas vidas.”                                    

sábado, 29 de outubro de 2016

Evite o anacoluto (e prefira a voz ativa)

“Alguns países vizinhos, como: Venezuela. Argentina, Colômbia e Chile, é permitido o uso de drogas.” (Redação de aluno)

Na passagem acima, o aluno quer dizer que em determinados países se permite o uso de drogas, mas omitiu a preposição “em”. Com isso, deixou a locução “alguns países vizinhos” solta no período; a essa quebra na estruturação sintática, dá-se o nome de anacoluto.
Há duas possibilidades de correção: desfazer o anacoluto, inserindo “em” no início da frase, ou transformar em sujeito “alguns países vizinhos” e passar a oração para a voz ativa. Essa última alternativa é a melhor.

Eis a frase corrigida: “Alguns países vizinhos, como Venezuela, Argentina, Colômbia e Chile, permitem o uso de drogas.”

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Sobre o sentido de "acalorados"

“A discussão acerca do casamento entre homossexuais, no Brasil, produz debates acalorados, porém controversos.” Redação de aluno

Na passagem acima há incoerência. O aluno estabelece uma falsa oposição entre os debates serem “acalorados” e “controversos”, quando uma coisa supõe a outra.
Usado metaforicamente, o adjetivo “acalorado” significa “apaixonado”, “animado”. Quando se aplica a um debate, que envolve discussão sobre pontos de vista contrários, esse adjetivo obviamente realça o que há nele de polêmico, controverso.

Eis a frase corrigida: “A discussão acerca do casamento entre homossexuais, no Brasil, produz debates acalorados.”

domingo, 16 de outubro de 2016

A diferença entre "sofisma" e "subterfúgio"

“Quando lhe disseram que devia reformular o trabalho, ele veio com o sofisma de que já se esforçara demais e merecia ser poupado.” (Redação de aluno)

       Na passagem acima não cabe o uso da palavra “sofisma”. Sofisma, ou paralogismo, é “qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro” (Houaiss). Significa também “logro”, “embuste”.
Por exemplo: a afirmação de que o indivíduo “fuma por vontade própria” é um sofisma para contestar as campanhas antifumo do Ministério da Saúde. Nela se usa o pretexto da liberdade individual para justificar um prejuízo infligido a si e a outros.
O argumento de que “se esforçara demais” é antes um subterfúgio, ou seja, “uma manobra ou pretexto para evitar dificuldades”. Ele foi apresentado como um estratagema para se fugir a um dever.


 Eis a frase corrigida: “Quando lhe disseram que devia reformular o trabalho, ele veio com o subterfúgio de que já se esforçara demais e merecia ser poupado.”

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Parágrafo com problemas de coerência e coesão

“A legalização das drogas sempre foi um tema polêmico e atual. Protestos a favor e contra essa legalização ocorrem com frequência. Uma vez que muitos acreditam que legalizar diminuiria o tráfico, outros acreditam ser inaceitável devido aos transtornos que a mesma proporciona. Mas afinal qual seria a solução para essa questão tão controversa?” (Redação de aluno)

No parágrafo acima, há problemas de coerência e coesão. Não se pode dizer de algo que “foi atual”; a atualidade supõe o presente, e não o perfeito do indicativo. Pode-se no entanto falar de uma atualidade que se desdobra no tempo, uma espécie de permanência, antepondo ao adjetivo  o advérbio “sempre”.
O problema coesivo é o emprego da locução conjuntiva “uma vez que”. O aluno estabelece uma simultaneidade na qual se opõem duas visões sobre a legalização das drogas. Deveria ter usado o conectivo “enquanto”, “ao mesmo tempo que” ou semelhante.
Na refeitura, deve-se evitar a repetição do verbo acreditar e corrigir o mau emprego de “a mesma”.

Eis o parágrafo corrigido: “A legalização das drogas é um tema polêmico e sempre atual. Protestos a favor e contra ocorrem com frequência. Enquanto uns acreditam que legalizar diminuiria o tráfico, outros acham ser isso inaceitável devido aos transtornos que pode proporcionar. Mas afinal, qual seria a solução para essa questão tão controversa?”