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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Não fragmente o período

“Para aqueles subordinados ao humor alheio. É sempre bom andar e conviver com indivíduos de bom caráter.” (Redação de aluno)

O período é uma unidade de sentido completo e não pode ser fragmentado. O aluno esqueceu essa lição ao colocar um ponto após a palavra “alheio”. Com isso, separou o objeto indireto das orações que vêm a seguir. Como esse objeto está antecipado, deve ser separado por vírgula.


Eis a frase corrigida: “Para aqueles subordinados ao humor alheio, é sempre bom andar e conviver com indivíduos de bom caráter.”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Novo Cadernão sobre o Enem


Chico Viana distribuirá este ano com seus alunos um novo Cadernão.
Trata-se de um material específico sobre a redação do Enem, no qual o professor explica as cinco competências requeridas para redigir bem no exame; comenta redações que obtiveram nota 1000, a fim de que os alunos entendam as razões do bom desempenho e possam tomar esses textos como modelos; responde às dúvidas mais frequentes dos alunos; apresenta novos exercícios de produção textual; e expõe tópicos sobre a norma culta essenciais para a prática da redação.
O novo Cadernão se acrescenta ao material sobre redação já existente e visa capacitar os alunos a um desempenho cada vez melhor na produção textual, que é decisiva para a obtenção de uma boa nota no concurso.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Mau uso de "aderir" e "cessão"

“Os sábados aderiram sinônimos de desconforto devido ao barulho de certos cultos religiosos. Diante desse quadro, solicitamos a cessão desses atos de maneira rápida e efetiva.” (Redação de aluno)

       Na passagem acima o verbo “aderir” e o substantivo “cessão” estão indevidamente empregados. Problemas semânticos como esses decorrem do desconhecimento do sentido das palavras ou da confusão que às vezes se faz entre parônimos (palavras que se assemelham pelo som).
         
Entre os sentidos de “aderir”, não está o de “virar”, “tornar-se”, que cabe no contexto da frase. Da mesma forma, o substantivo correspondente a “cessar” é “cessação”, e não “cessão” (que corresponde ao verbo “ceder”). 

        Eis a frase corrigida: “Os sábados tornaram-se sinônimo de desconforto devido ao barulho de certos cultos religiosos. Diante desse quadro, solicitamos a cessação desses atos de maneira rápida e efetiva.”

domingo, 3 de janeiro de 2016

Evite falhas na conexão das ideias

“Nossa civilização formou-se em meio a guerras e perseguições, por isso um jovem brasileiro que vai aos países do primeiro mundo aprende a cumprir leis, pois em nosso país as pessoas se orgulham de não cumpri-las.” (Redação de aluno)

Na passagem acima há uma falha na conexão das ideias. Não está claro o nexo entre a primeira oração e o que dela se conclui. Qual a relação entre a civilização se formar em meio a guerras e perseguições, e um jovem brasileiro aprender a cumprir as leis nos países do primeiro mundo? Falta alguma coisa que sirva de elo entre as duas afirmações.

          Por exemplo: “Nossa civilização formou-se em meio a guerras e perseguições, o que encorajou o descaso com as normas que disciplinam o funcionamento da sociedade. Diante disso, um jovem brasileiro que vai aos países do primeiro mundo aprende a cumprir leis, pois em nosso país as pessoas se orgulham de não cumpri-las.”

domingo, 27 de dezembro de 2015

Passiva analítica e outras coisas mais

“É dito que para ter sucesso é preciso ter uma boa auto-estima, assim como para gostar de si mesmo é necessário ser bem sucedido.” (Redação de aluno)´

Na passagem acima há falhas de estilo, semântica e ortografia. A primeira consiste no uso da passiva analítica (é dito), que soa pouco natural e pode ser substituída, com vantagem, pela passiva sintética (diz-se). A falha semântica decorre do uso do adjetivo “boa” antes de “autoestima”, o que constitui uma redundância. Os erros ortográficos dizem respeito ao emprego do hífen.
O raciocínio do aluno parece recorrente, mas ele pretendeu apresentar um círculo vicioso. A autoestima tanto condiciona o sucesso, como é condicionada por ele.

      Eis a frase corrigida: “Diz-se que para ter sucesso é preciso ter autoestima, assim como para gostar de si mesmo é necessário ser bem-sucedido.”

domingo, 20 de dezembro de 2015

Informalidade e falha lógica

“O computador apresenta aspectos positivos e negativos. Ele pode te ajudar ou ser como uma droga. Cabe a você escolher certo o tipo de heroína que você quer que ele seja.” (Redação de aluno)

         A dissertação argumentativa pede uma linguagem sóbria e objetiva. Na passagem acima o uso dos pronomes “te” e “você” constitui um recurso informal, que não se ajusta a esse tipo de texto. Além do problema quanto ao registro, ocorre na referida passagem uma falha lógica: o aluno apresenta duas alternativas que se excluem (entre ajudar e viciar), mas ao citar “heroína” no segundo período considera apenas a possibilidade do vício.

       Eis o texto corrigido: “O computador apresenta aspectos positivos e negativos. Ele pode ajudar ou ser como uma droga. Cabe à pessoa escolher o que quer que ele seja.”

domingo, 13 de dezembro de 2015

Cuidado com o "frankenstein" linguístico

“Os estudos afirmando que as mulheres menos dependentes são mais desejadas, certamente foi analisado por homens de mentes arcaicas e machistas. (Redação de aluno)

Na passagem acima, um pequeno frankenstein linguístico,  há problemas de gramática, pontuação, semântica e, sobretudo, coerência. Comecemos pelo último, que é o mais grave. A ideia de que as mulheres menos dependentes são mais desejadas não se coaduna com a mentalidade machista, que prega justamente a submissão da mulher. O lógico é que os machistas considerem as mais independentes menos desejadas.
A falha gramatical é de concordância, pois o sujeito “os estudos” determina verbo no plural. Quanto à pontuação, não se separa o sujeito do predicado, daí ser errado usar vírgula após “desejadas”. A falha semântica, por fim, consiste no uso do verbo “analisar” em vez, por exemplo, do verbo “fazer”

        Eis a frase corrigida: “Os estudos afirmando que as mulheres mais independentes são menos desejadas certamente foram feitos por homens de mentes arcaicas e machistas.”