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domingo, 24 de maio de 2015

Lacuna entre as ideias e falha semântica

“A violência ocorria quase que exclusivamente nas ruas e em alguns lares. Falar em violência escolar era exceção, porém muitos fatores têm interferido nessa mudança comportamental dos alunos.” (Redação de aluno)

           Na passagem acima ocorre lacuna entre as ideias. O estudante se refere a uma mudança que antes não foi mencionada, ou seja, a uma situação que se tornou comum: a violência na escola. Contrapor a regra à exceção é importante para dar unidade ao texto. Além disso ocorre impropriedade semântica, representada pelo uso do verbo "interferir".  


      Eis a frase corrigida: “A violência ocorria quase que exclusivamente nas ruas e em alguns lares. Falar em violência escolar era exceção, mas atualmente é a regra. Muitos fatores concorreram para essa mudança comportamental dos alunos.”

domingo, 10 de maio de 2015

Sem ordem não há clareza

     “Com o advento da internet, as informações passaram a circular com mais velocidade e a alcançar mais pessoas, inclusive os conteúdos que maculam a imagem de alguém.” (Redação de aluno)

A boa ordenação é fundamental para dar clareza à frase. A passagem acima é uma prova disso: por não ordenar adequadamente os termos, o aluno dá a entender que graças à internet as informações passaram a alcançar tanto as pessoas como os conteúdos que mancham a imagem de alguém. Tais conteúdos, no entanto, estão sintaticamente associados às informações.
 
        Eis a frase corrigida: “Com o advento da internet, as informações – inclusive os conteúdos que maculam a imagem de alguém -- passaram a circular com mais velocidade e a alcançar mais pessoas.” 

domingo, 3 de maio de 2015

Confusão entre os verbos "agir" e "haver"

“É importante que os pais e a escola hajam para combater o bullying, identificando possíveis agressores e vítimas.” (Redação de aluno)

Os verbos “agir” e "haver" são homófonos (ou seja, têm o mesmo som) no presente do subjuntivo: “Talvez haja poucas pessoas na rua”; “Não fique parado. Aja enquanto é tempo”, e assim em todas as pessoas. Isso leva a enganos como o que o aluno cometeu. Ele queria dizer que os pais e a escola devem “agir”, e não “haver” (ter) alguma coisa.


Eis a frase corrigida: “É importante que os pais e a escola ajam para combater o bullying, identificando possíveis agressores e vítimas.”

domingo, 26 de abril de 2015

Não abuse de "não só... como também"

Não só este fator como também vários outros prejudicam não só o futuro de vários jovens, como também comprometem o desenvolvimento do Brasil economicamente, politicamente e socialmente.” (Redação de aluno)

Na passagem acima ocorre o abuso do par correlativo “não só... como também”. O aluno utiliza-o duas vezes, o que sobrecarrega a frase e predispõe a um problema comum no uso desse par: a quebra do paralelismo sintático.
Essa quebra ocorre na segunda ocorrência, em que erroneamente se correlacionam um substantivo (futuro) e uma oração (afetam o futuro do Brasil). Para haver paralelismo, os consequentes devem ter a mesma estrutura.

        “Este fator e vários outros não só prejudicam o futuro dos jovens, como também comprometem o desenvolvimento do Brasil do ponto de vista econômico, político e social.”
 

domingo, 19 de abril de 2015

Evite confundir conceitos filosóficos

 “A teoria existencialista alega que o homem é produto do meio em que está inserido.” (Redação de aluno)

         A citação de termos científicos ou filosóficas na redação tem os seus riscos. O maior deles é se confundir os conceitos, como fez o estudante na passagem acima.
        
          O existencialismo se opõe ao princípio determinista de que o homem é produto do meio. Vê o ser humano como fruto das suas escolhas, que decorrem de uma consciência livre. O homem está condenado à liberdade, conforme escreveu Jean-Paul Sartre, um de seus principais representantes.
       
        Eis a frase corrigida: “A teoria determinista afirma que o homem é produto do meio em que está inserido.”

Evite a ambiguidade

            “Alguns se preocupam bastante em postar frases ou até mesmo textos que possam atrair a atenção e então ganhar seguidores.” (Redação de aluno)

           Já dizia Montaigne que a clareza é a maior virtude de um texto. Frases ambíguas comprometem o que se quer dizer e desnorteiam o leitor. É o que ocorre na passagem acima; o estudante dá a entender que os textos, e não quem os escreve, poderão ganhar seguidores.
  
          Resolve-se o problema acrescentando o que falta para dar lógica ao enunciado:  
          “Alguns se preocupam bastante em postar frases ou até mesmo textos que possam atrair a atenção e os façam ganhar seguidores.”

domingo, 12 de abril de 2015

Má ordenação das palavras pode gerar ambiguidade

“Diante disso, é necessária a extinção de práticas violentas na recepção de novos alunos que trazem risco à saúde física e mental.” (Redação de aluno)

Na passagem acima, de uma redação sobre o trote, ocorre ambiguidade devido à má ordenação dos termos. O pronome relativo “que” parece retomar “alunos”, quando na verdade se refere a “práticas violentas”. São estas que trazem risco à saúde.  
 Pode-se resolver o problema de duas formas:

1) deslocando a oração adjetiva para junto do termo ao qual ela se refere: “Diante disso, é necessária a extinção de práticas violentas, que trazem risco à saúde física e mental, na recepção de novos alunos.”


2)  dividindo o período em dois e indicando com clareza o sujeito da segunda oração:  “Diante disso, é necessária a extinção de práticas violentas na recepção de novos alunos. Elas trazem risco à saúde física e mental.”