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domingo, 1 de junho de 2014

Escreva com simplicidade

           “Embora o governo invista, amplamente, no setor energético, as fontes por ele opcionadas prejudicam seus habitantes e o meio ambiente.” (Redação de aluno)   

         Escrever com simplicidade é uma forma de errar menos. Por vezes a busca por uma palavra ou expressão “difícil” leva a falhas gramaticais e impropriedades semânticas. O preciosismo é inimigo da comunicação. 

       Um bom exemplo é a passagem acima transcrita.  O aluno se refere a uma opção que o governo faz em termos de fontes energéticas.  O verbo relacionado com esse substantivo é “optar”, que tem como sinônimos “preferir”, “escolher”.

        O estudante poderia ter escolhido um desses verbos, que por admitirem objetos diretos permitem a transformação na voz passiva.  Em vez disso, preferiu um suposto derivado de “opção”, que certamente lhe pareceu mais distinto. Resultado: usou um termo que não existe e ainda por cima soa mal.

        Eis a frase corrigida: “Embora o governo invista, amplamente, no setor energético, as fontes por ele escolhidas prejudicam seus habitantes e o meio ambiente.”

domingo, 18 de maio de 2014

O risco de juntar verbos

         “No intuito de reduzir e facilitar a punição de casos de violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha entrou em vigor no Brasil.” (Redação de aluno)
       
          Juntar verbos nem sempre dá bom resultado. Ou um deles é inútil, ou a presença dos dois tende a gerar problemas como o que se observa na passagem acima. 

       Ao atribuir um mesmo objeto direto aos verbos “reduzir” e “facilitar”, o aluno produz uma incoerência. Dá a entender que existe, ao mesmo tempo, o propósito de facilitar e reduzir a punição dos casos de violência contra a mulher. Uma coisa não se compatibiliza com a outra. Além disso, a lei não entrou vigor para reduzir a punição em tais casos.

      O problema se deve à má organização da frase, à qual falta um complemento que ficou, digamos, na intenção. Pode-se inseri-lo desmembrando o objeto que nela se encontra.

       Por exemplo: “No intuito de reduzir os casos de violência contra a mulher e facilitar a punição dos culpados, a Lei Maria da Penha entrou em vigor no Brasil.”

domingo, 6 de abril de 2014

Problema coesivo no uso de "em detrimento de"

     “Pessoas abandonam seus sonhos profissionais e fazem cursos de grande prestígio, como medicina e direito. Em detrimento disso, profissões de suma importância, mas que não são reconhecidas pela população, têm cada vez menos pretendentes.” (Redação de aluno)

        A locução “em detrimento de” significa “em prejuízo de”. Opõe-se a “em prol de” e introduz um termo que em relação a outro sofre uma perda ou dano. Por exemplo: “O protecionismo estatal ocorre em detrimento das empresas produtivas.”

       Do ponto de vista semântico, o aluno emprega corretamente a locução prepositiva. O mesmo não se pode dizer quanto à coesão. O uso do pronome “‘isso” sugere que a escolha em função do prestígio afeta profissões como medicina e direito, mas o que o estudante diz é o contrário.

    A seguinte redação torna coerente o texto: “Pessoas abandonam seus sonhos profissionais e fazem cursos de grande prestígio, como medicina e direito, em detrimento de profissões de suma importância mas que não são reconhecidas pela população e  têm cada vez menos pretendentes.”

domingo, 23 de março de 2014

Tautologia com o verbo "acarretar"

      “Os conflitos entre as pessoas podem destruir casamentos, famílias, amizades e acarretar como consequência sequelas como a depressão, dependência de drogas, isolamento social.” (Redação de aluno)

          A tautologia é o vício de linguagem pelo qual se repete uma ideia com outras palavras. Um exemplo ocorre na passagem acima, pois é dispensável dizer que algo acarreta “como consequência” alguma coisa. Acarretar já significa “ter como consequência”. Na correção dessa frase deve-se também uniformizar o emprego do artigo, para manter o paralelismo.

         Eis a frase corrigida: “Os conflitos entre as pessoas podem destruir casamentos, famílias, amizades e acarretar sequelas como a depressão, a dependência de drogas, o isolamento social.”

domingo, 16 de março de 2014

A boa ordem concorre para a clareza do texto

      “Em uma sociedade moderna, com o aumento da competição, os distúrbios tendem a aumentar, como: a depressão, o suicídio, e a solidão.” (Redação de aluno)

Ordenar bem o período é dos requisitos para obter clareza. Uma frase mal ordenada, ainda que tenha nexo, faz o leitor interromper a sequência da leitura. Mesmo que ele apreenda o sentido global, perde tempo reorganizando mentalmente o texto. Muitas vezes tem que voltar ao início para compreender tudo.

Exemplo de má ordenação é a passagem acima. O aluno afirma que a incidência de determinados distúrbios tende a aumentar na sociedade moderna, em que é grande a competição.

        O problema é que ele exemplifica alguns desses distúrbios (ou melhor: apenas um, pois o suicídio e a solidão não são distúrbios) depois de completar o período. Essa indicação “fora de tempo”, agravada pela inadequação dos exemplos, acaba desnorteando o leitor.
   
       Eis uma melhor redação: “Em uma sociedade moderna, com o aumento da competição, distúrbios como a depressão tendem a aumentar. Isso agrava a solidão das pessoas e pode levá-las ao suicídio.”

domingo, 9 de março de 2014

Evite as incoerências

       “Devido ao grande preconceito existente na sociedade, a maioria das pessoas menos favorecidas são marginalizadas, pois se assustam com atos tão bárbaros como o rolezinho.” (Redação de aluno)

        No período acima há incoerência. É impossível entender o que quis dizer o aluno, pois não há nexo entre a afirmação principal (sobre a marginalização das pessoas menos favorecidas) e a explicação apresentada para justificá-la.

      Consta nessa explicação que os marginalizados se assustam com os rolezinhos, quando o natural seria o oposto; os comerciantes e os que dispõem de algum dinheiro para consumir é que, em tese, se sentem ameaçados por esses encontros. Além disso, por mais que neles haja irreverência e tumulto, é exagero qualificá-los de “bárbaros”.

        Eis uma melhor versão: “Devido ao preconceito existente na sociedade, a maioria das pessoas menos favorecidas é marginalizada e assusta os que se sentem ameaçados pelos rolezinhos.”

domingo, 2 de março de 2014

A refeitura deve perseguir a economia e a simplicidade

           “Rolezinhos são encontros de pessoas (sendo de maioria jovens da classe média baixa) criados por meio de redes sociais, que tem como principal local de frequentação os shoppings centers. (Redação de aluno)

           Refazer frases e parágrafos é a melhor forma de conscientizar o aluno sobre os problemas linguísticos da redação. Apenas grifar os erros e dar uma nota não resolve. Ao reelaborar o texto, o aluno confronta a versão insuficiente com a versão corrigida e a partir daí percebe em que deve melhorar.
   
     O fragmento acima transcrito apresenta sobretudo problemas semânticos. Na refeitura deve-se proceder à adequação vocabular, observando sempre o princípio da economia e da simplicidade. Eis versão a que se chegou em classe:

        “Rolezinhos são encontros de pessoas (a maioria jovens da classe média baixa), articulados por meio das redes sociais. Ocorrem sobretudo nos shopping centers.”