Total de visualizações de página

domingo, 6 de março de 2016

Uso do "cujo"

“Atualmente, o aborto tem sido feito por muitas mães, principalmente por conta da zica, em que um dos sintomas é a microcefalia.” (Redação de aluno)

Na passagem acima há um problema coesivo, representado pelo uso da expressão relacional “em que”. A microcefalia não é um sintoma... nessa doença, mas pertencente a ela. Isso quer dizer que o pronome relativo adequado não é “que”, e sim “cujo”.

Eis a frase corrigida: “Atualmente, o aborto tem sido feito por muitas mães, principalmente por conta da zica, um de cujos sintomas é a microcefalia.” 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Três problemas gramaticais

“Deveria-se acreditar na importância da opinião própria e não se deixar influenciar. A vida das pessoas não poderiam ser interferidas pelo desejo da aprovação dos outros.” (Redação de aluno)

Na passagem acima há três problemas gramaticais. O primeiro é o emprego da ênclise em verbo no futuro do pretérito (deveria-se). Nesse tempo, usa-se o pronome no meio da forma verbal (mesóclise). Alguns, tendo em vista o abandono da mesóclise hoje em dia, preferem mesmo usar a próclise (se deveria) -- mas isso não é aconselhável num texto formal. 

O segundo problema é a flexão no plural do verbo “poder”; esse verbo deveria estar no singular, concordando com o núcleo do sujeito “vida”. Escrevi “deveria” porque a construção apresentada pelo aluno é gramaticalmente impossível (eis o terceiro problema). O verbo “interferir”, por pedir complemento regido de preposição (no caso, “em”), não permite a formação da voz passiva. Sendo assim, o sujeito é “o desejo da aprovação dos outros”, e “a vida das pessoas” aparece como objeto indireto.

         Eis a frase corrigida: “Dever-se-ia acreditar na importância da opinião própria e não se deixar influenciar. O desejo da aprovação dos outros não poderia interferir na vida das pessoas.”

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Observe a coesão sequencial

“Enquanto, na mídia, essas pessoas arrastam multidões e vendem produtos para grandes marcas, depois de um tempo ninguém se lembrará do cantor que bombou alguns carnavais antes ou quem eram os participantes do último reality show.” (Redação de aluno)

Na passagem acima há uma falha na coesão sequencial devido à falta de correlação entre os pares “enquanto” e “depois de um tempo”. A conjunção “enquanto” introduz um fato simultâneo a outro, em frases do tipo “Enquanto ela dorme, eu trabalho”.  Já a expressão adverbial “depois de um tempo” indica uma ocorrência que sucede a outra. Há também no período problemas de regência e pontuação.

      Eis a frase corrigida: “De início, na mídia, essas pessoas arrastam multidões e vendem produtos para grandes marcas; depois de um tempo, ninguém se lembrará do cantor que bombou alguns carnavais antes ou de quais eram os participantes do último reality show.”

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Não fragmente o período

“Para aqueles subordinados ao humor alheio. É sempre bom andar e conviver com indivíduos de bom caráter.” (Redação de aluno)

O período é uma unidade de sentido completo e não pode ser fragmentado. O aluno esqueceu essa lição ao colocar um ponto após a palavra “alheio”. Com isso, separou o objeto indireto das orações que vêm a seguir. Como esse objeto está antecipado, deve ser separado por vírgula.


Eis a frase corrigida: “Para aqueles subordinados ao humor alheio, é sempre bom andar e conviver com indivíduos de bom caráter.”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Novo Cadernão sobre o Enem


Chico Viana distribuirá este ano com seus alunos um novo Cadernão.
Trata-se de um material específico sobre a redação do Enem, no qual o professor explica as cinco competências requeridas para redigir bem no exame; comenta redações que obtiveram nota 1000, a fim de que os alunos entendam as razões do bom desempenho e possam tomar esses textos como modelos; responde às dúvidas mais frequentes dos alunos; apresenta novos exercícios de produção textual; e expõe tópicos sobre a norma culta essenciais para a prática da redação.
O novo Cadernão se acrescenta ao material sobre redação já existente e visa capacitar os alunos a um desempenho cada vez melhor na produção textual, que é decisiva para a obtenção de uma boa nota no concurso.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Mau uso de "aderir" e "cessão"

“Os sábados aderiram sinônimos de desconforto devido ao barulho de certos cultos religiosos. Diante desse quadro, solicitamos a cessão desses atos de maneira rápida e efetiva.” (Redação de aluno)

       Na passagem acima o verbo “aderir” e o substantivo “cessão” estão indevidamente empregados. Problemas semânticos como esses decorrem do desconhecimento do sentido das palavras ou da confusão que às vezes se faz entre parônimos (palavras que se assemelham pelo som).
         
Entre os sentidos de “aderir”, não está o de “virar”, “tornar-se”, que cabe no contexto da frase. Da mesma forma, o substantivo correspondente a “cessar” é “cessação”, e não “cessão” (que corresponde ao verbo “ceder”). 

        Eis a frase corrigida: “Os sábados tornaram-se sinônimo de desconforto devido ao barulho de certos cultos religiosos. Diante desse quadro, solicitamos a cessação desses atos de maneira rápida e efetiva.”

domingo, 3 de janeiro de 2016

Evite falhas na conexão das ideias

“Nossa civilização formou-se em meio a guerras e perseguições, por isso um jovem brasileiro que vai aos países do primeiro mundo aprende a cumprir leis, pois em nosso país as pessoas se orgulham de não cumpri-las.” (Redação de aluno)

Na passagem acima há uma falha na conexão das ideias. Não está claro o nexo entre a primeira oração e o que dela se conclui. Qual a relação entre a civilização se formar em meio a guerras e perseguições, e um jovem brasileiro aprender a cumprir as leis nos países do primeiro mundo? Falta alguma coisa que sirva de elo entre as duas afirmações.

          Por exemplo: “Nossa civilização formou-se em meio a guerras e perseguições, o que encorajou o descaso com as normas que disciplinam o funcionamento da sociedade. Diante disso, um jovem brasileiro que vai aos países do primeiro mundo aprende a cumprir leis, pois em nosso país as pessoas se orgulham de não cumpri-las.”