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domingo, 8 de abril de 2012

"Razões pela qual"?

        “Homossexualidade, aversão à estrangeiros, timidez, obesidade são algumas das razões pela qual levam o agressor a atingir a vítima”. (Redação de aluno)

        Na passagem acima, além do uso indevido do acento grave em “à”, ocorre falha coesiva. O acento não se justifica porque esse “a” é apenas preposição; se um artigo se fundisse a ela, seria “os” e não “a”, o que determinaria a aglutinação “aos (estrangeiros)”.

       A falha de coesão está no uso de “pela qual” em vez de “que”; este pronome retoma “razões” e constitui o sujeito do verbo levar (“... que levam o agressor a atingir a vítima”). Caso se mantenha o “pelas quais” (flexão correta), é preciso reestruturar o período:
       
        “Homossexualidade, aversão a estrangeiros, timidez, obesidade são algumas das razões pelas quais o agressor é levado a atingir a vítima.”

domingo, 1 de abril de 2012

Mau uso do verbo "tachar"


          “As pessoas são tachadas pelo que mostram de si e submetem-se, por isso, aos ideais estabelecidos pela sociedade.” (Redação de aluno)

         “Tachar” (não confundir com “taxar”) significa “pôr nódoa ou defeito em alguém (ou em algo)”. É um verbo “transitivo predicativo”, ou seja, requer além do objeto direto um termo que representa o julgamento que o sujeito faz sobre esse objeto. Por exemplo: “O diretor tachou o rapaz de vagabundo”; “A Câmara tachou a atitude do ministro de imoral”.

         O aluno cometeu uma falha de regência ao não informar de quê as pessoas são tachadas. Na verdade, usou impropriamente “tachar”; deveria ter optado por “julgar”, “avaliar” ou semelhante:

         “As pessoas são julgadas (avaliadas) pelo que mostram de si e submetem-se, por isso, aos ideais estabelecidos pela sociedade.”

domingo, 25 de março de 2012

Nos sentimos "melhores" ou "melhor"?

            Porque ao gastarmos nos sentimos melhores?” (Redação de aluno)

        Há dois problemas nessa passagem. O primeiro é o uso de “porque” (junto). O que se tem no início da frase é o conjunto “por” (preposição) + “que” (pronome interrogativo), o qual tem valor de causa. Na resposta é que se usa a conjunção. Por exemplo: “Gastamos porque somos influenciados pela mídia.”    

       O segundo problema é a flexão de “melhor”. Na frase esse vocábulo não é adjetivo, e sim advérbio. Não se trata da percepção de “ser melhor” quando se compra (como em “A caridade nos faz pessoas melhores”), mesmo porque não haveria coerência nisso. Trata-se, isto sim, de “se sentir bem” ao gastar.  Como o advérbio é invariável, não vai para o plural. 
   
       Eis a frase corrigida: “Por que ao gastarmos nos sentimos melhor?”

terça-feira, 20 de março de 2012

Inadequações semânticas

          “O aumento do consumo mostra que o país sofre avanços”; “Para melhorar essa dificuldade, precisamos investir em educação”; “A dependência da tecnologia não traz imbróglios químicos como a das drogas”. (Redações de alunos)

          As passagens acima têm em comum o uso inadequado de palavras. Um país não “sofre”, e sim “obtém”, “conquista”, “passa por” avanços. Semelhantemente, não se “melhora” uma dificuldade. Uma dificuldade se “contorna” ou “resolve”.

          E desde quando “imbróglio” é sinônimo de problema?  Derivada de “in + bloguiare” (falsificar), essa palavra significa “confusão”, “situação difícil”, “mal-entendido” (Houaiss). Nem sempre isso corresponde a um problema, no sentido pretendido pelo aluno. Um problema se resolve; um imbrógio se desfaz. 

domingo, 18 de março de 2012

O que é um "abismo psicológico"?

         “Pais e mães que sempre sonharam com o que há de melhor para os filhos caem num abismo psicológico ao se depararem com os jovens no caminho das drogas.” (Redação de um aluno)

          No intuito de parecer profundo, o estudante por vezes compromete o rigor semântico. Usa termos vagos ou pomposos, que sacrificam a clareza da informação.

          É o que ocorre na passagem acima com “cair num abismo psicológico”.  O que vem a ser isso? Trata-se de uma ideia imprecisa, exagerada, que obscurece o sentido. Por que não dizer, simplesmente, que os pais “se frustram”, “se angustiam”, “caem em desalento”?

         O tal do “abismo psicológico”, com sua indefinida amplidão, terminou arruinando a frase.

terça-feira, 13 de março de 2012

Evite dizer "o psicológico"

        “Se for levado ao extremo, o desejo de competir afetará seriamente o psicológico do indivíduo.” (Redação de aluno)  
        “Psicológico” é um adjetivo e se encontra bem empregado em expressões como “nível psicológico”, “plano psicológico”, “aspecto psicológico” etc.
         É errado substantivá-lo para substituir os termos “psique”, “mente” ou “psiquismo”. Eis a frase corrigida:
        “Se for levado ao extremo, o desejo de competir afetará seriamente o psiquismo (a mente, a psique) do indivíduo.”

"Repulsão" ou "repulsa"?

          “As pessoas têm repulsão pelos viciados em drogas.” (Redação de aluno)

         Embora o dicionário apresente as duas palavras como sinônimas, o uso consagrou  “repulsa” para significar nojo, desprezo, execração (“a” ou “por” alguém ou alguma coisa). A “repulsão” reserva-se o sentido de “força em virtude da qual certos corpos ou partículas se repelem mutuamente” (Houaiss).

         O melhor, então, é escrever: “As pessoas têm repulsa pelos viciados em drogas.”